Coronavírus: o poder destruidor de robôs emissores de luz ultravioleta

Coronavírus: o poder destruidor de robôs emissores de luz ultravioleta

Uma tecnologia criada há décadas pode desempenhar um papel importante na contenção da pandemia de Covid-19, bem como impedir a disseminação de outras doenças. Essa tecnologia se trata do uso de lâmpadas emissoras de luz ultravioleta em ambientes fechados, com o objetivo de matar vírus e bactérias em suspensão.

Essa tecnologia é usada há mais de um século para esterilização de hospitais, aviões, escritórios, fábricas e água – onde seu uso começou. Ela é fundamental para higienizar água potável, pois alguns parasitas são resistentes a desinfetantes químicos.

Como funciona a tecnologia?

As lâmpadas emitem uma frequência de luz ultravioleta chamada “Ultravioleta C”, ou UVC, que naturalmente não é encontrada na Terra, já que os raios são bloqueados pela nossa atmosfera. A luz destrói o material genético dos vírus (RNA), fungos e bactérias (DNA), essencialmente matando estes organismos.

Para ser totalmente eficaz, o UV precisa incidir diretamente sobre uma superfície exposta. Se as ondas de luz estiverem bloqueadas por sujeira ou obstáculos, essas áreas de sombra não serão desinfetadas. Portanto, primeiro é necessária a limpeza manual.

Os robôs esterilizadores

A empresa dinamarquesa UVD Robots começou a desenvolver robôs autônomos emissores de luz ultravioleta, a partir de 2014, a pedido dos hospitais dinamarqueses que buscavam um modo mais eficaz de reduzir os índices de infecção hospitalar.

No mercado, o robô começou a ser vendido no início de 2019 e já está disponível em 40 países, ao custo de US$ 67 mil (R$ 340 mil) cada.

Oito lâmpadas emitem luz ultravioleta UVC concentrada. Além de matar os microorganismos, a luz também é prejudicial aos seres humanos, que não podem permanecer no local a ser desinfectado. O trabalho é realizado de 10 a 20 minutos. Depois, fica um cheiro parecido com o de cabelo queimado.

O negócio já estava crescendo em um ritmo bastante alto, mas o novo coronavírus aumentou a demanda”, diz Per Juul Nielsen, executivo-chefe da companhia.

Ele afirma que “caminhões” de robôs foram enviados para a China, em particular a Wuhan, primeiro epicentro da epidemia. As vendas em outros lugares da Ásia e da Europa também estão crescendo.

“A Itália tem gerado uma demanda muito forte”, acrescenta Nielsen. “Eles realmente estão em uma situação desesperadora. É claro que queremos ajudá-los.”

Robô desinfetando um quarto de hospital na China

A luz UVC mata o novo coronavírus?

Embora não tenha havido nenhuma pesquisa sobre a eficácia da radiação artificial UVC contra o Sars-Cov-2, estudos anteriores mostraram sucesso em destruir o Sars.

Nielsen, o executivo-chefe da UVD Robots, está confiante de que funciona: “Ele é muito semelhante a outros coronavírus, como os de Mers e Sars. E sabemos que eles estão sendo mortos pela luz UVC”, diz.

Lena Ciric, professora associada da University College London e especialista em biologia molecular, concorda que os robôs de desinfecção por UVC podem ajudar a combater o coronavírus. Os robôs de desinfecção não são uma “bala de prata”, diz Ciric. Mas ela acrescenta: “Eles (as máquinas) fornecem uma linha extra de defesa”.

Nova tecnologia: Far-UVC

Para tentar aumentar o uso dessa tecnologia, principalmente em um momento no qual a higienização constante e eficaz de roupas e ambientes não é somente necessária em hospitais e espaços públicos, mas também dentro de casa, pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, avaliam um novo tipo de tecnologia chamada far-UVC.

Ela utiliza lâmpadas que emitem doses baixas e contínuas de luz ultravioleta. Essa luz seria capaz de matar vírus e bactérias sem prejudicar a pele, olhos e outros tecidos humanos, como é o problema com a luz UVC convencional, que utiliza uma alta intensidade para fazer esse serviço. “A luz far-UVC tem o potencial de ser um ‘divisor de águas.”, disse David Brenner, professor de biofísica de radiação e diretor do Centro de Pesquisa Radiológica da Universidade Columbia, em entrevista ao Columbia News.

Por: Marcela Dumas

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