Cidade-Esponja: Uma Esperança Contra as Enchentes

Cidade-Esponja: Uma Esperança Contra as Enchentes

Ao menos 155 pessoas já morreram no Rio Grande do Sul por causa das enchentes na região, segundo levantamento da Defesa Civil gaúcha publicado neste sábado (18 de maio de 2024), às 18h. O Estado ainda tem 94 desaparecidos, 806 feridos e 617.390 desabrigados. O que levou a essa situação? Será que havia alguma maneira de reduzir os danos causados por essas enchentes?

Conceito de Cidade-Esponja por Kongjian Yu

O arquiteto paisagista chinês Kongjian Yu criou o conceito de cidade-esponja. Esse método consiste em planejar cidades para que consigam lidar com o excedente das águas, ao filtrar o excesso. Ainda que essa inovação não elimine todos os desafios climáticos que afetam vidas humanas, ela pode, no mínimo, ajudar a diminuir os danos das enchentes na vida das pessoas atingidas. Yu, atualmente considerado um dos mais renomados arquitetos do mundo e consultor do governo chinês, já desenvolveu projetos em mais de 70 cidades com capacidade para suportar volumes de chuva ainda maiores do que os observados no Rio Grande do Sul.

Entrevista com Kongjian Yu

Kongjian Yu foi entrevistado pelo Fantástico, onde explicou as etapas fundamentais que norteiam o planejamento das cidades-esponja. Yu começa: “Eu sou de uma pequena vila que tem um rio. Vivi 17 anos como agricultor, isso me ensinou como trabalhar com a natureza.” Quando se mudou para cidade grande, Yu entendeu por que elas inundam. “A natureza se adapta, é viva. O conceito de cidade-esponja é baseado no princípio de que a natureza regula a água”, explica.

Etapas do Planejamento das Cidades-Esponja

  • Reter a Água: Yu diz que 20% da área de toda fazenda tem que ser reservada para água em sistemas de açudes, para que ela não acabe toda indo para o rio principal.
  • Reduzir a Velocidade do Rio: “Quando você desacelera a água, você dá a oportunidade para a natureza absorvê-la. Para desacelerar, você usa a vegetação e cria um sistema de lagos.”
  • Adaptar as Cidades: As cidades devem ter áreas alagáveis, para onde a água possa escorrer sem causar destruição: criar grandes estruturas naturais alagáveis para que a água possa ser contida por um tempo e, depois, rapidamente absorvida para o lençol freático sem invadir as casas.

Exigência de Espaços Verdes nas Cidades Chinesas

As cidades chinesas são obrigadas a manter 30% de seu território como espaço verde, uma medida que visa melhorar a qualidade de vida dos habitantes e promover a sustentabilidade urbana. Para Kongjian, essa exigência representa uma oportunidade significativa. Ele argumenta que, com essa quantidade de espaço verde disponível, é possível implementar uma série de projetos de infraestrutura ecológica, como a criação de lagoas, parques de absorção e áreas de biorretenção. Essas soluções não apenas embelezam a cidade, mas também desempenham um papel crucial na gestão das águas pluviais, ajudando a mitigar inundações e a recarregar os aquíferos subterrâneos. Além disso, esses espaços verdes proporcionam áreas recreativas para a população, melhoram a qualidade do ar e promovem a biodiversidade urbana.

Viabilidade do Projeto no Brasil

No Brasil, a viabilidade deste projeto dependeria crucialmente da disposição das grandes fazendas em destinar 20% de suas áreas para a construção de açudes. Implementar essa medida inevitavelmente criaria um conflito com o agronegócio, um setor poderoso e vital para a economia do país. As grandes propriedades agrícolas frequentemente priorizam a maximização de suas áreas, que são essenciais tanto para o mercado interno quanto para as exportações. Também seria necessário o envolvimento de diversas esferas do governo, desde o federal até o municipal, em colaboração com instituições de pesquisa, universidades e organizações não governamentais.

Tecnologias Complementares

Outras tecnologias utilizadas para o monitoramento do aumento de nível de água dos rios e reservatórios incluem a Internet das Coisas (IoT). Em Londres, Reino Unido, sensores de nível de água conectados via IoT monitoram em tempo real os níveis dos rios Tâmisa e Sena, permitindo uma resposta rápida a mudanças nas condições hídricas. Além disso, o uso de big data e inteligência artificial (IA) tem se tornado cada vez mais comum. Na Holanda, o projeto Flood Early Warning System (FEWS) utiliza big data e IA para prever enchentes com alta precisão, o que auxilia na tomada de decisões rápidas e eficazes, mitigando os impactos das inundações e protegendo comunidades vulneráveis.

Importância das Tecnologias de Monitoramento

Essas tecnologias representam um avanço significativo na gestão de recursos hídricos e na prevenção de desastres naturais, proporcionando ferramentas essenciais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Considerações Finais

O conceito de cidade-esponja, proposto por Kongjian Yu, oferece esperança para diminuir os impactos das enchentes. Essa abordagem mostra que é possível aliar o desenvolvimento urbano à preservação ambiental, criando ambientes mais seguros e sustentáveis para todos. No entanto, sua implementação requer colaboração entre diversos setores da sociedade e autoridades locais. Investir em estratégias de adaptação como a cidade-esponja torna-se crucial diante das crescentes ameaças climáticas.

Kongjian Yu conquistou o extraordinário. Ele é um arquiteto paisagista cuja filosofia e conceitos de design, que entrelaçam natureza e cultura e estão comprometidos com a excelência do projeto, foram adotados como política nacional em uma das maiores e mais populosas nações do mundo – o que tem implicações internacionais e impacto global. – Presidente e CEO da TCLF, Charles A. Birnbaum.

Hevelin Rute

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