LinusBot: A Primeira Aceleração na Engenharia Elétrica
Para quem vê de fora, o Linusbot pode parecer apenas um campeonato de carrinhos seguidores de linha organizado pelo PET Elétrica UFJF. Mas, para nós, ele está longe de ser só uma corrida. É um projeto planejado e executado com muita dedicação, consolidando a iniciação prática dos calouros na Engenharia Elétrica.
O grande desafio proposto pelo evento é construir do zero um robô seguidor de linha. O objetivo é que esse carrinho seja capaz de ler o trajeto de uma pista guiando-se por uma linha preta e, na primeira fase, completá-la no menor tempo possível e, na segunda, completá-la identificando e desviando de obstáculos pelo caminho.
Mais do que uma competição, o Linusbot simboliza a verdadeira porta de entrada dos calouros no universo da engenharia elétrica. É a primeira oportunidade real que eles têm de tirar o conhecimento do papel, colocar a mão na massa e ver a engenharia acontecendo de fato dentro da universidade.
A tecnologia por trás
Para que o carrinho consiga tomar decisões sozinho, ler a pista e desviar de obstáculos, é necessário integrar diversos componentes eletrônicos e lógicas de programação que ensinamos do zero durante nossas aulas.
O nosso robô utiliza um Arduino Uno, que recebe os códigos (escritos em linguagem C++) e toma as decisões. Usando um controle proporcional, o código deve ser capaz de calcular o quão distante ele está do centro da linha preta e envia comandos de correção em frações de segundo para que o carrinho não se desalinhe.
Para fazer a leitura da linha e dos obstáculos utilizamos dois sensores: um infravermelho e um ultrassônico, respectivamente. O sensor infravermelho possui uma matriz de sensores de refletância que emitem luz e medem o quanto dela retorna. Como a pista branca reflete a luz e a linha preta a absorve, o robô consegue saber exatamente onde está o trajeto. Para enxergar à frente, entra em cena o Sensor Ultrassônico. Ele funciona como um radar de morcego, emitindo ondas sonoras para detectar obstáculos na pista, permitindo que o robô inicie a manobra de desvio no momento exato.
As rodas são movidas por Motores DC escovados, mas eles exigem muita energia, mais do que o Arduino consegue fornecer sozinho. É aqui que entra uma peça fundamental chamada Ponte H. Ela atua recebendo a energia bruta da bateria e os comandos delicados do Arduino. Com ela, conseguimos não apenas dar força aos motores, mas também controlar a velocidade (através de sinais PWM) e inverter o sentido de rotação de cada roda de forma independente, permitindo que o robô faça curvas.
Por fim para conectar tudo é utilizada uma protoboard, uma placa de ensaio onde os componentes são encaixados sem precisar de solda, além de jumpers, que são fios de conexão. Todo o sistema é alimentado de forma independente por baterias, incluindo um interruptor geral para garantir que o robô só dispare quando o cronômetro da competição começar.
O impacto na formação dos calouros
Nos primeiros períodos, a realidade de um estudante de engenharia é marcada por muita teoria, quadros cheios de cálculo e física o que torna o curso maçante e muitas vezes acaba causando a evasão do curso por parte dos estudantes. É exatamente no cenário de ciclo básico que o Linusbot atua como um ponto de virada, o projeto entrega a recompensa que a sala de aula teórica demora a dar. Ao construir o seguidor de linha, o calouro vê, na prática e em tempo real, a lógica matemática se transformando em movimento. A engenharia deixa de ser abstrata e passa a ser palpável. É a primeira vez que eles lidam com erros na eletrônica, construção de código e montagem de um circuito na protoboard.
Além disso, como o robô é construído em grupo, os calouros aprendem rapidamente a importância de dividir tarefas e integrar conhecimentos, além de fazer novas amizades nesse novo ciclo.
O impacto na formação dos petianos
Primeiramente, para que as equipes consigam construir seus robôs, os petianos preparam e ministram semanas de aulas teóricas e práticas antes do evento ocorrer de fato. A melhor forma de dominar um assunto é precisando ensiná-lo, dessa forma praticamos a nossa oratória e formas de repassar conhecimentos.
Além disso, fazer o evento acontecer de fato, é preciso gerenciar inscrições, montar kits de componentes, organizar o cronograma e divulgar a competição. Organizar um evento que mobiliza dezenas de estudantes, exige infraestrutura, planejamento e ensino contínuo transformando a experiência da graduação de quem está nos bastidores.
Durante as semanas de montagem, os petianos atuam como orientadores. É preciso ter paciência para ajudar a encontrar um erro em uma linha de código ou consertar um circuito com mal contato ou com alguma ligação errada.
Dinâmica do dia da competição
Nesta edição de 2026, a competição conteceu no dia 3 de julho. O clima da competição é sempre de muita adrenalina e expectativa. Tivemos 6 equipes na disputa, testando seus robôs, fazendo os últimos ajustes nos códigos e torcendo a cada curva completada na pista.
Fazer um evento desse porte acontecer exige muito apoio e trabalho em equipe de todos os participantes do PetElétrica. Por isso, contamos com a parceria fundamental de nossos patrocinadores, que viabilizaram a compra dos componentes e ainda garantiram brindes incríveis que foram sorteados durante o dia.
No fim, embora apenas uma equipe levante o título de grande campeã, a vitória real é de todos os calouros que viram a engenharia ganhar vida na pista. O Linusbot é um evento anual, ano que vem tem mais. Que venha a próxima edição!






