Mae Jemison: a Primeira Mulher Negra a Conquistar o Espaço

Mae Jemison: a Primeira Mulher Negra a Conquistar o Espaço

“Você tem tanto direito quanto qualquer outra pessoa de estar neste mundo e de seguir a profissão que desejar… Você não precisa esperar por permissão.” – Mae Jemison

É inegável dizer que as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço na área tecnológica. Apesar disso, infelizmente, ainda é incomum a presença de mulheres negras em papéis que podem mudar o curso da ciência. A fim de assumir um posto nunca pertencido a uma mulher negra, Mae Jemison fez história nos anos 1980 ao participar como cientista especialista em uma missão espacial cooperativa entre os Estados Unidos e o Japão que visava pesquisar sobre a ciência dos materiais em baixa gravidade.

Conheça a história de Mae Jemison, médica, engenheira química, e ex-astronauta americana, que marcou não somente o mundo com seu conhecimento, mas também faz várias crianças negras acreditarem que nem o céu é o limite quando se trata dos seus sonhos.

Infância

Mae Carol Jemison nasceu Decatur, Alabama, em 17 de outubro de 1956. Seu interesse pela ciência se mostrou cedo: assim que aprendeu a ler, começou a pegar livros de ciências na biblioteca, lendo sobre evolução, dinossauros, estrelas e planetas.

A pré-adolescência de Jemison foi marcada pelo desenvolvimento de projetos sobre a evolução da vida no planeta Terra, sendo uma aluna célebre na escola, e ratificando o seu amor pela ciência. Ela também aprendeu sobre astronomia ao visitar o Planetário Adler em Chicago -para onde mudou-se com seus pais e irmãos- observando as estrelas da perspectiva do Hemisfério Sul e ficando fascinada ao ver como era o céu milhares de anos atrás.

Mae completou o ensino médio com honrarias em 1973 na Morgan Park High School com apenas 16 anos de idade.

Carreira como Engenheira Química

Em Stanford, Mae se formou em 1977 com dois diplomas: um bacharelado em Engenharia Química e outro em Estudos Afro-Americanos. Durante seu tempo na universidade, ela não apenas focou nos estudos, mas também se envolveu ativamente em produções teatrais e de dança. Além disso, atuou como líder da União dos Estudantes Negros (Black Student Union) da instituição. Ao longo de sua graduação, Mae frequentemente enfrentou e precisou superar o preconceito racial e de gênero por parte de professores e colegas nas turmas de ciências.

Mae Jemison em sua graduação

Carreira na Medicina

Após concluir seus estudos em Stanford, Jemison ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Cornell, obtendo seu diploma de médica (M.D.) em 1981. Durante sua formação, seu espírito humanitário a levou a viajar para Cuba, Quênia e um acampamento de refugiados cambojanos na Tailândia para prestar assistência médica. Após realizar seu estágio no Centro Médico do Condado de Los Angeles/Universidade do Sul da Califórnia, Mae entrou para o Corpo da Paz (Peace Corps). Entre 1983 e 1985, ela atuou como Oficial Médica em Serra Leoa e na Libéria, gerenciando o atendimento médico dos voluntários e das equipes das embaixadas americanas.

Mae Jemison na NASA

 Inspirada pelo voo de Sally Ride (a primeira americana no espaço) e por seu amor de infância pela série Star Trek, Jemison decidiu se inscrever no programa de astronautas da NASA. Em 1987, ela fez história ao ser uma das 15 pessoas selecionadas para o programa de treinamento entre mais de 2.000 candidatos, tornando-se a primeira mulher negra a ser admitida no programa de astronautas.

O ápice de sua carreira na agência ocorreu em 12 de setembro de 1992, quando Jemison foi ao espaço a bordo do ônibus espacial Endeavour na missão STS-47. Atuando como Especialista de Missão Científica, ela foi co-investigadora de experimentos sobre a ciência dos materiais em baixa gravidade, reprodução de sapos no espaço e testes sobre enjoo espacial e perda óssea. Mae passou um total de 190 horas, 30 minutos e 23 segundos em órbita terrestre, consagrando-se eternamente como a primeira mulher negra a viajar para o espaço.

Jemison no espaço

Carreira pós-NASA

Mae deixou a NASA em março de 1993, afirmando que desejava explorar como a tecnologia poderia ser integrada às ciências sociais para melhorar a vida diária das pessoas. Ela fundou o The Jemison Group, uma empresa de consultoria e tecnologia focada no desenvolvimento sociocultural e tecnológico. Além disso, criou a Dorothy Jemison Foundation for Excellence, nomeada em homenagem à sua mãe, para promover a educação científica.

Sua paixão pela exploração continuou firme: ela assumiu a liderança do projeto 100 Year Starship, uma iniciativa ambiciosa (inicialmente financiada pela DARPA) que tem como objetivo garantir que a viagem espacial humana além do nosso sistema solar seja uma realidade dentro dos próximos 100 anos. Curiosamente, também em 1993, Mae realizou um sonho de fã e fez uma participação especial na série Star Trek: The Next Generation, sendo a primeira astronauta real a aparecer no programa.

Vida pessoal

Mae Jemison mantém sua vida pessoal reservada e longe dos holofotes da mídia, mas é muito pública sobre suas paixões. Ela é uma dançarina treinada e até construiu um estúdio de dança em sua própria casa. Ao longo de sua vida, construiu um forte legado de ativismo, viajando o mundo inteiro como palestrante para incentivar que mais mulheres, crianças e minorias sigam carreiras nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Mae Jemison palestrando atualmente

Sophia Sales