Por trás da missão espacial Artemis II
Da Apollo para Artemis
Entre 1969 e 1972, o mundo testemunhou o auge da Corrida Espacial com o programa Apollo, levando, ao todo, doze pessoas à Lua e criando a esperança de que as viagens espaciais seriam rotineiras. No entanto, após o fim da Guerra Fria e devido aos altos custos, o programa foi suspenso. Agora, mais de 50 anos depois, a humanidade finalmente retoma esse caminho. A missão espacial Artemis II, lançada em 1° de abril de 2026, retrata a retomada das missões espaciais e posiciona a lua como ponto de partida definitivo para a futura conquista de Marte.

O valor estratégico da lua
Diferente da década de 60, a motivação atual mistura ciência e geopolítica. O foco agora é o Polo Sul lunar, onde a presença de gelo pode viabilizar o fornecimento de água e combustível, além da abundância de Hélio-3, que promete revolucionar a energia limpa via fusão nuclear. Ademais, a mineração de terras raras na Lua se tornaria estratégica para os Estados Unidos visto que há o domínio chinês desses recursos na Terra.
Mas a Artemis II não se limitou aos recursos minerais, a tripulação composta por quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — entregou registros inéditos e em 4K: a Terra se pondo atrás do horizonte lunar e o lado oculto da Lua detalhado com precisão cinematográfica.


A tecnologia da capsula Orion
Para viabilizar a missão, a NASA e seus parceiros desenvolveram o Space Launch System (SLS), um pilar de propulsão de 98 metros de altura que gera 4.000 toneladas de empuxo. Equipado com motores RS-25 e boosters de combustível sólido, o SLS carregou a espaçonave Orion rumo a Lua. O conjunto conta com o Módulo de Serviço Europeu (ESM) para controle térmico e propulsão, além de uma sofisticada Torre de Escape. Cada queima de motor foi calculada milimetricamente para colocar a nave em trajetória e garantir a segurança dos tripulantes através da mecânica orbital.

A reentrada na terra e o futuro da exploração
A jornada guardou seu momento mais crítico para o final: a reentrada no dia 10 de abril de 2026. Atravessar a atmosfera a 40.000 km/h gerou um calor de 2.700 °C, transformando a Orion em uma “bola de fogo” e cortando as comunicações por seis minutos devido à formação de plasma. A cápsula foi projetada para suportar uma pressão de 4G (quatro vezes a força da gravidade), testando os limites físicos dos astronautas e da estrutura. Os paraquedas foram acionados em sequência, reduzindo a velocidade para um pouso seguro no mar a cerca de 30 km/h. Este sucesso pavimenta o caminho para a Artemis III, cujo objetivo será, finalmente, o pouso tripulado na superfície lunar.

