Automação residencial sem exageros: o conceito de tecnologia invisível

Automação residencial sem exageros: o conceito de tecnologia invisível

Você já esteve presente em algum lugar em que tudo parecia estar perfeito: as luzes acendem no momento certo e estão sempre na intensidade certa, a temperatura está sempre agradável e nada parece exigir a sua atenção? Curiosamente, esses são espaços extremamente tecnológicos, mesmo que, às vezes, não pareça. Com o avanço da automação residencial, tornou-se comum levar grandes tecnologias às casas. No entanto, nem toda automação precisa ser chamativa ou cheia de comandos complexos. Surge, então, o conceito de tecnologia invisível: soluções que atuam de forma silenciosa, integrada e intuitiva, melhorando a experiência do usuário sem parecer algo artificial ou exagerado. Aqui, vamos explorar como a automação pode ser aplicada de forma equilibrada, priorizando conforto, simplicidade e eficiência — sem excessos.

O que é automação residencial

A automação residencial é basicamente o uso da tecnologia para facilitar as tarefas diárias. Trata-se de utilizar sistemas eletrônicos para que realizem atividades automaticamente, sem a necessidade de intervenção humana, seja por comandos de voz ou por sensores — como os de movimento, luminosidade, temperatura e umidade, entre outros.

Isso é possível graças ao avanço constante de tecnologias, como os atuadores — a exemplo de interruptores inteligentes, fechaduras eletrônicas e motores de irrigação —, assistentes virtuais desenvolvidas com inteligência artificial — a Alexa, criada pela Amazon, é um exemplo muito famoso que já dominou diversas residências, não só do Brasil, como do mundo —, e a Internet das Coisas (IoT), sobre a qual você pode descobrir mais clicando sobre o nome.

Além disso, a automação residencial não só auxilia na praticidade e no conforto, mas também na economia, oferecendo gastos menores que os normais, e na segurança, já que, por exemplo, quando alguém tenta invadir a casa do usuário enquanto ele estiver fora, é possível habilitar para que um alarme toque no próprio celular, avisando a situação, e também é possível que, mesmo estando longe, o dono da residência ative algum atuador para reverter a situação.

Integração de dispositivos automatizados em uma casa inteligente.

O conceito de “Tecnologia Invisível”

Embora a automação das casas inteligentes tenha evoluído significativamente, algumas soluções são pensadas para serem vistas e chamarem a atenção, como as comentadas nos exemplos do tópico acima. Porém, elas ainda dificultam algumas atividades do dia a dia, já que é necessário, às vezes, ficar visualizando o celular em alguns momentos. Nesse contexto, surge a chamada “Tecnologia Invisível”, com tecnologias pensadas para passarem despercebidas no cotidiano das pessoas, adaptando-se às rotinas e aos espaços do ambiente em que estão inseridas. O objetivo é proporcionar conforto e qualidade, e que o funcionamento não seja o foco delas, a fim de que não precise de intervenção constante. Assim, diferentemente de sistemas que exigem comandos frequentes, a tecnologia invisível se destaca por prever necessidades e operar de forma contínua e natural, tornando-se quase imperceptível no cotidiano.

O problema dos exageros na automação

Apesar de ser uma tecnologia feita para facilitar a rotina dos usuários, o exagero na automação causa desafios ocultos, que muitas vezes passam despercebidos, mas são extremamente prejudiciais a eles. Além de ser desfavorável para a segurança, para a obsolescência programada e para apagões tecnológicos, esse exagero também afeta o psicológico e a inclusão.

Quando a automação começa a fazer todas as tarefas de um dia, o problema mora na comodidade das pessoas, tendo em vista que não precisam mais realizar funções básicas, levando a sérios problemas, a exemplo de sedentarismo — já que a tecnologia elimina movimentos simples —, preguiça cognitiva — delegar funções simples da casa a inteligências artificiais faz com que indivíduos parem de tomar decisões por conta própria e reduz a agilidade mental deles —, e perda de autonomia — os moradores perdem o costume de cuidar do próprio espaço, gerando dependência total na tecnologia.

Ademais, idosos, crianças e visitas se sentem perdidos por não dominarem o uso do comando de voz e dos aplicativos que compõem a automação da casa, de forma que não consigam realizar ações simples na residência. O excesso de telas para o controle de lâmpadas, tomadas e eletrodomésticos é outro problema que deve ser mencionado, pois é um processo burocrático e que causa estresse.

Exemplos práticos de automação residencial

Algumas empresas já se destacam no ramo e chamam a atenção do público que está adotando a automação em suas residências. A Samsung, por exemplo, já tem diversos dispositivos inteligentes que facilitam o dia dos usuários. Hoje, a empresa oferece aos consumidores lâmpadas inteligentes, interruptores que permitem o controle das luzes da casa pelo celular, campainhas e fechaduras que permitem ver quem está na porta, plugues inteligentes para o controle de forma remota, entre outras inovações que a marca já desenvolveu.

Assim como a Samsung, outras empresas desenvolvem alguns dispositivos de automação para residências que passam despercebidos e trazem um ambiente aconchegante. Dentre eles estão:

A climatização e iluminação

O ar-condicionado liga automaticamente via tomadas inteligentes1 ou controle infravermelho2 quando a temperatura ambiente ultrapassa 25 graus, por exemplo, ou prepara um ambiente para a sua chegada do trabalho. As luzes mudam de cor ou intensidade para cada atividade específica que você está exercendo no momento, como para leitura.

Rotinas de despertar e dormir

No horário do seu alarme, as cortinas abrem de forma automática, as luzes aumentam a intensidade, a cafeteira começa a funcionar e a assistente virtual anuncia a previsão do tempo. Ao modo sono ser ativado, o termostato3 ajusta o clima para uma temperatura ideal de repouso e as luzes se apagam de forma progressiva.

Economia de energia inteligente

Interruptores e módulos de automação4 identificam quando um cômodo fica mais de 10 minutos sem a presença de alguém e desligam as luzes automaticamente, garantindo que nenhuma luz fique acesa sem necessidade. Além disso, adaptadores de tomada Wi-Fi cortam o consumo em modo stand-by de aparelhos como videogames, podendo reduzir de 10% a 30% do valor da conta de energia.

Segurança preventiva e invisível

Em vez de alarmes, as residências usam sensores de presença humana (mmWave)5 ou sensores magnéticos6 nas portas, que as trancam rapidamente e acendem 100% das luzes da casa, em caso de invasão noturna.

Vídeo de exemplos práticos de automação residencial – Wise Monkeys

Custos para tornar sua casa inteligente

Os custos para automatizar uma residência podem variar bastante, dependendo da quantidade de dispositivos instalados, do tamanho do ambiente e do nível de integração desejado. Em projetos mais simples, envolvendo apenas lâmpadas inteligentes, assistentes virtuais e algumas tomadas automatizadas, os gastos podem começar em cerca de R$ 500 a R$ 2 mil. Já automações intermediárias, com controle de iluminação, climatização, cortinas e sistemas de segurança, costumam custar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Em casas de alto padrão, com integração completa entre iluminação, som, segurança, irrigação e entretenimento, os investimentos podem ultrapassar R$ 100 mil. Apesar disso, muitos especialistas reforçam que não é necessário automatizar a casa inteira de uma só vez; é melhor ir automatizando conforme as necessidades e progressivamente.

Conclusão

Apesar de o excesso da aplicação dessas automações nas casas trazer um certo desconforto devido aos problemas que podem gerar, usar essas tecnologias ao nosso favor só traz vantagens. Garantir a tecnologia invisível em nossas casas não só traz praticidade em tarefas diárias, como também deixa o nosso ambiente de conforto cada vez mais confortável e tranquilo.

A tendência é que a quantidade de dispositivos estratégicos para mudar as residências só aumente e evolua cada vez mais, principalmente com o uso de inteligências artificiais — avanço que tem sido cada vez mais explorado nesta década —, alcançando mais pessoas e aumentando a quantidade de consumidores desse ramo.

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Notas de rodapé

  1. Dispositivo que é ligado a uma tomada convencional e permite transformar equipamentos eletrônicos comuns em aparelhos que podem ser controlados remotamente. ↩︎
  2. Dispositivo que transmite sinais sem fio para dispositivos eletrônicos (como televisores e ar-condicionado), utilizando feixes de luz que não são visíveis ao olho humano. ↩︎
  3. Dispositivo automatizado que monitora a temperatura de um sistema e a ajusta para mantê-la dentro de faixas previamente definidas. ↩︎
  4. Dispositivo eletrônico de pequeno porte que capta comandos (entradas), processa essas informações e controla o acionamento de outros equipamentos (saídas). ↩︎
  5. Dispositivo de radar extremamente preciso empregado em sistemas de automação residencial. ↩︎
  6. Dispositivo capaz de identificar campos magnéticos ou variações nesses campos. ↩︎

Letícia Candido