O futuro da agricultura não está na Terra

Introdução

Um fato muito interessante deixou monges budistas e cientistas japoneses completamente em choque, nos últimos dias. Uma árvore de cerejeira começou a florescer com apenas 4 anos de idade, quando normalmente demora 10 anos. O mais interessante é que não se tratava de uma semente comum, esse exemplar protagonizou uma jornada espacial.

A semente espacial

O projeto Chujo-Hime-seigan-Zakura visava coletar sementes de Sakura (nome da flor de cerejeira em japonês) de diferentes regiões do Japão e, assim, foram coletadas 265 no total. Em novembro de 2008, elas foram enviadas à Estação Espacial Internacional (ISS) e, durante 8 meses, elas deram 4100 voltas no globo e retornaram à superfície terrestre.

Nesse retorno, uma fração foi direcionada aos laboratórios para serem estudadas e o restante voltaram para seu local de origem para serem cultivadas. Algumas delas foram plantadas no templo de Ganjoji do distrito de Gifu (centro do Japão).

A muda teve origem de uma árvore que, segundo as lendas, tem mais de 1250 anos. “Não podemos acreditar! Cresceu tão rápido. É a primeira vez que uma muda de uma árvore cerejeira venerável germina e cresce tão bem. Estamos muito felizes porque a nova árvore vai poder substituí-la”, exclamou Masahiro Kajita, sacerdote do templo.

Os cientistas responsáveis por esse projeto viram esse fenômeno acontecendo em 4 dos lugares plantados, mas ainda não conseguem explicar o real motivo da sua ocorrência. A hipótese de alteração genética devido à exposição aos raios cósmicos é muito forte, mas a falta de grupo de controle para comparar seu crescimento com o de outras plantas torna a possibilidade de polinização cruzada, com outras espécies, possível também.

Outros desbravadores do cosmo

Essa não foi a única vez em que a flora terrestre teve contato com o espaço. A China é responsável por uma série de estudos sobre o cultivo de plantas no espaço sideral. Acredita-se que, por causa da microgravidade e dos raios cósmicos, elas sofrem mudanças sutis no seu DNA que forneceram novas qualidades, aumentando sua tolerância à seca e sua resistência a certas doenças.

Quando trazidas de volta para a Terra, as sementes dessas plantas cultivadas no espaço são cuidadosamente selecionadas e adicionalmente cultivadas, para criar versões viáveis de alimentos populares.

Além disso, agências da ONU estão se esforçando para criar culturas mais resistentes e capazes de se adaptar às mudanças climáticas. Até hoje, 3,4 mil variedades de cerca de 210 espécies desenvolvidas usando variação genética induzida e reprodução de mutações foram oficialmente liberadas para uso comercial. Porém, será a primeira vez que a ISS poderá expor as sementes à condições únicas, que não podem ser recriadas em laboratórios na Terra. 

Conclusão

O cultivo vegetal no espaço inclui algumas adversidades diferentes daquelas encontradas na Terra, como período de florescimento mais tardio e sementes com menor quantidade. Além disso, há apenas algumas culturas que completaram experimentos e produziram sementes. Contudo, é impossível não admitir o valor e impacto que a influência dos fenômenos cósmicos têm nos cultivos terrestres. Sob essa perspectiva, é plausível afirmar que o maior aliado ao combate à fome é a imensidão e o vazio do espaço sideral.