Especial: Missão Apollo 11 – O homem na Lua

Especial: Missão Apollo 11 – O homem na Lua

No final da década de 1960, o mundo passava por diversas transformações. Ao mesmo tempo em que o movimento hippie sonhava com Paz e Amor, a guerra matava milhares de pessoas no Vietnã. Enquanto os jovens se preparavam para ir ao Festival de Woodstock ouvir Janis Joplin e Jimi Hendrix, a Guerra Fria entre as superpotências avançava e colocava o mundo sob tensão.

Em todas as partes, desde os grandes centros até as mais remotas regiões do planeta, bilhões de pessoas não desgrudavam, por um só segundo, os olhos dos aparelhos de televisão. Alguns até pareciam hipnotizados pelo espetáculo que seria transmitido. E não era para menos. Em breve todos seriam testemunhas da História e veriam com os próprios olhos uma das maiores conquistas realizadas pelo engenho humano: a chegada do Homem à Lua.

Próximas à base de lançamento de onde partiria o foguete, milhares de pessoas disputavam espaço para ver o momento em que o gigantesco Saturno 5 se ergueria do chão. Com 110 metros de altura desde a base até a torre e pesando nada menos de 2.900 toneladas, o Saturno 5 é até hoje o maior foguete já construído pelo homem. Sua potência é tão grande que quando acionado se pode ouvi-lo a mais de 20 quilômetros de distância. A vibração é tanta que mesmo tão longe os pés sentem o chão tremer.

 

Da esquerda para a direita: Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin

No topo daquele imponente e estático engenho, uma pequena cápsula abrigava os três homens que aguardavam ansiosamente para cumprir a missão que lhes fora confiada: o piloto de testes Neil Armstrong, o piloto da força aérea Edwin ‘Buzz’ Aldrin e o piloto de combate Michael Collins. Ali, sentados pacientemente aguardavam a contagem regressiva que os faria entrar para a História.

Apollo Guidance Computer

O computador de navegação das naves Apollo era tão fundamental que dois meses depois de John Kennedy proferir seu famoso discurso a NASA já estava fechando o contrato de desenvolvimento do sistema, antes sequer de saber como seria o foguete que ele controlaria. Para surpresa do Complexo Industrial Americano, o contrato foi para as mãos do MIT, mais precisamente do laboratório de Instrumentação

Era preciso um computador. Isso em uma época onde computador ainda era sinônimo de algo que ocupava uma sala grande. Tinham que criar uma máquina funcional que ocupasse o volume máximo de 0,028 metros cúbicos. Qual o tamanho disso? Um PC desktop dos pequenos.

O computador de navegação e o painel de controle

Produzir esse computador não seria fácil, principalmente em 1961. O jeito foi apelar pra uma tecnologia recém-inventada, os circuitos integrados. Um computador usava 4.100 CIs, todos idênticos, cada um uma porta lógica NOR.

Isso mesmo, nada de processadores dedicados, o circuito era todo composto de unidades discretas. Eles literalmente montaram um processador, o que era compreensível, afinal o microprocessador em um único chip só seria lançado em 1971, com o Intel 4004. Nessa brincadeira, no auge do programa Apollo a NASA consumia 60% da produção americana de chips, mesmo assim ainda havia mais problemas.

Não havia especificação do sistema. Era tudo especificado em tempo de desenvolvimento. Não se sabia nem se o sistema iria controlar totalmente a navegação ou apenas auxiliar os astronautas. Os projetistas acabaram incluindo um backup que se tornou vital: um sextante. Isso mesmo, navegação pelas estrelas, como os primeiros marinheiros. Primitivo talvez, mas funcional e à prova de tela azul.

Especificações

O computador era uma obra-prima de tecnologia, fazendo tudo isso com 2 kB de RAM e 48 kB de ROM, rodando a um clock interno de 1,024 MHz (ou apenas 1.024 kHz), sendo usado nas Apollos IV e VI. A segunda geração de computadores do sistema de navegação foi construída em 1966 com 2.800 CIs cada um com duas portas lógicas NOR, a RAM aumentou pra 4 kB e a ROM para 73 kB.

Obviamente não havia HD, os discos da época eram frágeis e grandes demais. A ROM era gravada em um sistema genial: a Memória de Corda. Eram fios passando através ou em volta de núcleos magnetizados. O fio passando dentro era um 1, passando fora era um 0.

Memória de Corda, em foto ampliada.

Pequeno grande problema

Em 1969 foi usado o módulo mais complexo de todo o sistema, as rotinas de pouso. Em nenhum outro momento uma sequência contínua tão grande de instruções era necessária. Curioso é que esse módulo foi escrito quando 2/3 do sistema já estava pronto.

Durante a descida na superfície lunar, o computador disparou um alerta de erro, no caso, o famoso Erro 1202. O problema é que na NASA ninguém sabia que diabos era aquilo, e sem idéia da gravidade, o natural seria abortar o pouso. Quem salvou o dia foi um sujeito chamado Jack Garman, engenheiro de software e que tinha a única cópia da lista de erros do sistema.

Ele levantou a mão, e disse qual era o erro: overflow, o computador estava recebendo dados demais e não conseguia processá-los, mas graças ao sistema de prioridades de tarefas criado por Hal Lanning, as de baixa importância eram desconectadas enquanto o principal, relacionado ao pouso, era mantido rodando.

Depois descobriram qual havia sido o erro. A checklist estava errada. Buzz Aldrin, seguindo as instruções, ligou o radar de retorno, usado para acoplagem com a cápsula principal. Desnecessário para o pouso, só seria usado em caso de cancelamento e não havia sido projetado para enviar esses dados para o computador principal.

Solução ‘Macgyver’

A tripulação entrou em apuros por um problema aparentemente menor. E foi preciso uma solução típica do engenhoso agente secreto Angus MacGyver, do seriado americano “MacGyver – Profissão Perigo”, sucesso nos anos 1980. Após coletarem as amostras na superfície lunar, Armstrong e Aldrin estavam cansados e ansiosos para voltar logo ao módulo de comando.

No módulo lunar que os levariam ao encontro de Collins no módulo de comando, Aldrin percebeu um objeto estranho no chão. Era a manopla de um disjuntor essencial, que ligava o foguete para tirá-los da superfície. Se não conseguissem acionar aquele disjuntor, o módulo não iria a lugar nenhum. Em órbita, Collins temia a ideia de voltar para casa sozinho. Será que seu pesadelo se tornaria realidade?

As horas passavam. O módulo lunar estava frio e cheio de poeira lunar. O oxigênio era consumido rapidamente. Aldrin pediu ideias ao controle da missão na Terra, mas nada surgia.

O módulo lunar da Apollo 11.

Duas vidas e uma missão bilionária estavam em jogo. Aldrin e Armstrong olhavam ao redor tentando improvisar uma solução.

Foi então que Aldrin teve seu “momento Macgyver” e notou que poderia tentar encaixar alguma coisa no disjuntor para fazê-lo funcionar. Mas qualquer coisa de metal estava fora de cogitação – havia o risco de curto-circuito em todo o sistema.

Aldrin então alcançou uma caneta marcadora em seu bolso no ombro – aquelas com ponta de feltro. Ele então enganchou a ponta da caneta sem tinta no lugar do interruptor quebrado e… o disjuntor foi acionado.

Eles estavam prontos para a decolagem. Às 17h35, o módulo lunar se acoplou ao módulo de comando na órbita da Lua. A Apollo 11 estava voltando para casa – e o resto é história.

 

Fontes: BBC       

 

1008jia2001

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