Governo japonês pondera reativar central nuclear com receio de que falte energia

“Enfrentaremos cortes de energia graves” se não se proceder à reativação dos reatores da central Oi, afirmou o ministro japonês da Indústria, Yukio Edano, citado hoje pelo “Nikkei”.

O acidente na central de Fukushima, na sequência do sismo e tsunami de 11 de março do ano passado, deixou o Japão com apenas um reator ativo — o número 3 da central de Tomari, no norte, cuja atividade será suspensa a 05 de maio – entre um total de 54.

De acordo com Edano, a reativação dos reatores 3 e 4 da central Oi, os primeiros do país a passarem nos testes de resistência, que teoricamente garantem que aqueles são seguros em caso de catástrofe natural, é vital para assegurar o fornecimento de energia elétrica durante o verão, em que se verifica um pico de consumo.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, o ministro porta-voz, Osamu Fujimura, e o ministro responsável pela política nuclear do país, Goshi Hosono, analisaram na sexta-feira com a operadora da central Oi, a Kansai Electric, a situação dos seus reatores e a sua capacidade.

Após a reunião, os responsáveis constataram a necessidade de reativar a central para oferecer energia elétrica este verão, segundo o jornal “Nikkei”.

Para retomar a atividade dos reatores, estes têm de passar nos testes de resistência impostos pelo Governo para evitar um desastre semelhante ao de Fukushima e Tóquio terá de conseguir o apoio das autoridades locais, embora não seja um requisito legal.

Neste sentido, o ministro da Indústria vai deslocar-se hoje à região de Fukui para tentar convencer as autoridades regionais a darem o seu apoio à reativação da central Oi, esperando-se, porém, a forte oposição das províncias de Shiga e Quioto, em linha com a posição já manifestada pelos respetivos governadores.

Antes do acidente de Fukushima, o Japão dependia em 30 por cento da energia nuclear.

Fonte : diário nipônico “Nikkei”