Como as Smart Grids estão transformando o setor elétrico

Como as Smart Grids estão transformando o setor elétrico

Recentemente, foi estimado que aproximadamente 4% da demanda global de energia aumentará ao ano até 2027, o que intensifica a pressão sobre as infraestruturas elétricas existentes e amplia as necessidades de investimento em geração, transmissão e distribuição de energia. Esse crescimento acelerado do consumo expõe as limitações das redes elétricas tradicionais, que não foram projetadas para lidar com cargas cada vez mais dinâmicas e descentralizadas. Diante desse cenário, a modernização tecnológica das redes deixa de ser apenas uma opção e passa a ser uma condição essencial para garantir a confiabilidade, a eficiência e a segurança do sistema elétrico. Como resposta, as Smart Grids têm ganhado relevância no mercado, pois se apresentam como estratégicas para enfrentar os desafios impostos por esse aumento da demanda energética, tendo em vista que os investimentos devem alcançar valores expressivos até 2030.

O que são Smart Grids?

As Smart Grids são redes elétricas modernas que integram tecnologias digitais com o objetivo de gerenciar, monitorar e otimizar continuamente a geração, a transmissão e a distribuição de energia elétrica. Além disso, elas conectam de forma integrada todos os usuários do sistema, permitindo a troca de informações em tempo real. Essa característica possibilita uma operação mais eficiente, sustentável, econômica e segura, ao mesmo tempo em que diferencia as Smart Grids das redes elétricas tradicionais, que operam de forma unidirecional e com baixo nível de automação, uma vez que as redes inteligentes permitem comunicação bidirecional e incluem tecnologias que não eram comumente vistas anteriormente nessas redes.

Tecnologias que compõem uma Smart Grid

As Smart Grids se diferenciam das redes elétricas tradicionais principalmente pela incorporação de tecnologias digitais avançadas, que permitem maior controle, automação e monitoramento do sistema elétrico. Essas tecnologias viabilizam a comunicação bidirecional entre os diversos agentes da rede e possibilitam uma operação mais eficiente, flexível e integrada, sendo fundamentais para atender às novas demandas do setor elétrico.

Os medidores inteligentes assumem um papel fundamental no funcionamento das Smart Grids. Esses dispositivos recebem e enviam dados detalhados sobre o consumo de energia em tempo real, facilitando ao usuário o monitoramento dos gastos e a identificação de padrões. Como resultado, esses medidores contribuem para um uso mais eficiente da energia. Do ponto de vista tecnológico, eles fazem parte da infraestrutura de medição avançada (Advanced Metering Infrastructure – AMI), que utiliza sistemas de comunicação digital para permitir a troca bidirecional de informações entre consumidores e concessionárias, possibilitando funções como leitura remota e detecção de falhas.

Os sistemas de automação doméstica são outros mecanismos empregados que se destacam nessa tecnologia. Eles permitem que os clientes acompanhem os momentos de preço mais baixo para armazenar energia ou utilizar eletrodomésticos, como a máquina de lavar. Isso ajuda a economizar energia e a gastar menos com os equipamentos do dia a dia. Tecnicamente, esses sistemas podem ser integrados a plataformas de gerenciamento de energia residencial (Home Energy Management Systems – HEMS), que se comunicam com a rede elétrica e ajustam automaticamente o funcionamento dos equipamentos conforme sinais de preço, demanda e disponibilidade de energia.

Outro elemento importante nas Smart Grids é o armazenamento de energia, que contribui para o equilíbrio entre a oferta e a demanda do sistema elétrico, aumentando a eficiência e a confiabilidade da rede. Isso só é possível porque esses sistemas permitem armazenar a eletricidade gerada por fontes como a solar para ser usada depois, em momentos de necessidade.

A última tecnologia integrada que diferencia a rede elétrica inteligente das demais é a geração distribuída. A geração distribuída inclui fontes como painéis solares e pequenas turbinas eólicas, permitindo que a energia seja produzida próxima aos locais de consumo. Essa descentralização reduz a dependência de grandes usinas, diminui as perdas durante o transporte de eletricidade e facilita a integração de fontes renováveis ao sistema elétrico, tornando a rede mais eficiente, flexível e resiliente.

Imagem representativa das principais tecnologias das Smart Grids.

Benefícios das Smart Grids

As Smart Grids oferecem benefícios significativos ao sistema elétrico ao integrar tecnologias digitais e automação, como:

  • Eficiência operacional: reduz perdas e melhora a utilização dos recursos da rede;
  • Confiabilidade e resiliência: com a automação e o monitoramento em tempo real, é possível identificar rapidamente falhas e diminuir o tempo de interrupções no fornecimento de energia;
  • Integração de fontes renováveis: facilita a integração dessas fontes e da geração distribuída, contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda e para uma operação mais flexível;
  • Controle do consumo de energia: incentiva o uso mais eficiente e sustentável da eletricidade.

Desafios das Smart Grids

Apesar de terem diversos benefícios, as redes inteligentes também apresentam diversos desafios nos dias de hoje, como:

  • Falta de privacidade: ao instalar o medidor inteligente na residência, é possível coletar dados pessoais do usuário e tendências sobre a moradia;
  • Ataques hackers: devido à conectividade dos dispositivos usados nessa rede, é possível uma infiltração no sistema de forma mais acessível, causando prejuízos, como perdas de eficiência;
  • Gestão de segurança: os usuários precisam confiar alguns de seus dados ao provedor de utilidade, tendo em vista que alguns dispositivos precisam ser monitorados pela concessionária.

Smart Grids e cibersegurança

Diante da ampliação do uso de sistemas de comunicação, automação e controle em tempo real na transmissão e distribuição de energia, eleva-se a exposição da infraestrutura a riscos cibernéticos, principalmente por se tratar de sistemas críticos que exigem altos níveis de confiabilidade e disponibilidade.

Nesse contexto, a cibersegurança nas Smart Grids se baseia na adoção de normas técnicas, padrões internacionais e boas práticas consolidadas para a proteção de sistemas elétricos digitalizados. Essas diretrizes incluem o uso de mecanismos como controle de acesso, criptografia das comunicações, segmentação das redes operacionais e monitoramento contínuo de eventos. A aplicação dessas práticas garante a integridade, a disponibilidade e a confiabilidade das redes inteligentes.

Imagem representativa da infraestrutura urbana digital integrada.

Smart Grids no Brasil

Por conta da grande demanda energética no país e da dependência de fontes renováveis, o Brasil possui grande potencial de expansão dessas redes energéticas, mas enfrenta desafios na implantação, como o alto custo e a falta de conhecimento de consumidores sobre elas. Entretanto, com os investimentos necessários, o Brasil pode avançar no setor.

O futuro das Smart Grids

O futuro das Smart Grids está ligado à modernização contínua do setor elétrico e à necessidade de atender ao aumento da demanda por energia de forma mais eficiente e sustentável. A tendência é que as redes elétricas incorporem cada vez mais tecnologias digitais, ampliando a automação, o monitoramento em tempo real e a integração de fontes renováveis e da geração distribuída.

Com isso, as Smart Grids devem se tornar fundamentais para a transição energética, contribuindo para redes mais flexíveis, confiáveis e preparadas para os desafios futuros do sistema elétrico.

Conclusão

Diante do crescimento da demanda energética e das limitações das redes tradicionais, as Smart Grids se consolidam como uma solução estratégica para garantir eficiência, segurança e sustentabilidade ao sistema elétrico. Ao integrar tecnologias digitais, automação e fontes renováveis, essas redes representam um avanço essencial para a modernização do setor, tornando-o mais resiliente e preparado para os desafios presentes e futuros.

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Letícia Candido