Peter Higgs e sua contribuição para o entendimento da origem de tudo

Peter Higgs e sua contribuição para o entendimento da origem de tudo

Nascido em 29 de Maio de 1929 em Elswick, distrito de Newcastle, o físico teórico e professor emérito da Universidade de Edimburgo, Peter Higgs, é um dos responsáveis pela descoberta do mecanismo de Higgs.

 Higgs teve grande parte de sua educação domiciliar devido ao emprego do pai como engenheiro de som para a BBC, profissão esta que requeria uma mudança constante de cidade, o que implicou na perda dos anos iniciais na escola do físico. Durante sua estadia em Bristol frequentou a  Cotham Grammar School e foi lá onde obteve inspiração para seguir a área da matemática a partir dos trabalhos do ex-aluno e então matemático Paul Dirac. 

Com 17 anos Higgs especializou-se em matemática na City of London School, seguindo para a King’s College London, onde se graduou com honra como 1° aluno da turma de física, em 1950. Apaixonado pela área acadêmica, Higgs terminou seu mestrado no ano seguinte e em 1954 obteve PhD com a tese “Alguns Problemas na Teoria Molecular Ondulatória”. Esse trabalho foi o passo que levou a grande pesquisa de Higgs sobre a simetria dos sistemas físicos. 

Apesar do início de sua carreira ser extremamente interessante, o grande marco para Higgs foi em 1964, onde pode-se dizer que “tudo começou”.

Um grupo de físicos, incluindo Peter Higgs, debatiam sobre as partículas fundamentais no universo e como elas contêm diferentes quantidades de massa que são usualmente pensadas como peso. Sem essa massa, essas partículas nunca combinaram para formar átomos, que são a base de tudo o que cerca o mundo. Mas o que cria massa e por que partículas diferentes têm massas diferentes? Apesar de muito estudo, essa questão nunca havia sido respondida, até que em um passeio por Edinboro durante um fim de semana deu a Higgs uma ideia peculiar. 

Peter Higgs chegou a conclusão que usando matemática é possível imaginar o espaço de uma nova forma, como por exemplo partículas de oceano são imersas em um oceano e ganho massa de acordo com o movimento do mesmo. Para deixar esse pensamento de forma mais lúdica, imagine a massa de uma partícula como a fama de um ator, e o oceano de Higgs como os paparazzi. Algumas partículas são como atores não famosos, elas passam pelos paparazzi com certa facilidade, afinal, eles não estão interessados nelas. Outras partículas, no entanto, são como super estrelas, elas precisam empurrar e se espremer para conseguir passar e, quanto mais essas partículas sentem dificuldade de passar, mais elas interagem com o oceano e mais massa elas ganham. Com essa teoria, Higgs estava certo de que ele faria uma grande descoberta, no entanto, quando submeteu a ideia para um jornal no CERN – Laboratório Europeu de Física de Partículas, a ideia foi rejeitada.

Certo de que sua teoria tinha futuro, Higgs trabalhou mais a fundo na mesma até que tivesse a oportunidade de apresentá-la no instituto para estudos avançados, em Princeton. Durante o caminho da universidade, o físico ficou tão nervoso com a apresentação que teve que parar o carro na rodovia para que pudesse acalmar e continuar a trajetória. Aquela seria a primeira de muitas palestras que Higgs daria e que convenceria muitos colegas estudiosos que aquela teoria fazia sentido e estava ligada a algo muito mais profundo. 

Atualmente, a ideia de Higgs, chamada de mecanismo de Higgs, é crucial para o entendimento do espaço. 

 Em 1980, Higgs assumiu a cadeira de Teoria Física na Universidade de Edimburgo e em 1983 tornou-se membro da Royal Society, recebendo a medalha e o prêmio de Rutherford 1984. Em 1991, se tornou membro do Instituto de Física e em 1996 aposentou-se, tornando-se professor emérito na universidade. Em 2004 ganhou o prêmio Wolf de Física.

Em 2013 Peter Higgs e o belga François Englert ganharam o prêmio Nobel da Física pela descoberta teórica do bóson de Higgs, a partícula  que explica por que a matéria elementar tem massa. Esse estudo foi concretizado no LHC, o acelerador de partículas do CERN, onde após quase cinco décadas de teorização foi capaz de registrar a existência do bóson de Higgs, que permitiu completar o elenco das partículas previstas no Modelo-Padrão. Em 2015 o físico recebeu a medalha de Copley por domínio nas ciências.

Atualmente, Peter Higgs vive com sua esposa Jody Williamson e tem dois filhos Chris Higgs, cientista da computação, e Jonny Higgs, músico de Jazz.

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Camilla Schettino

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