André Rebouças, o primeiro engenheiro negro do Brasil.

André Rebouças, o primeiro engenheiro negro do Brasil.

A história tardia da abolição da escravatura no Brasil não se restringe a lei Áurea sancionada pela princesa Isabel, que libertou os escravos em 13 de maio de 1888. É também a história de diversos outras personalidades que lutaram pelo fim dessa longa e tão sombria história  do país. Dentre elas, vale ressaltar o engenheiro André Rebouças, o primeiro engenheiro negro do Brasil.

André Pinto Rebouças nasceu em cachoeira, província da Bahia, no dia 13 de janeiro de 1838. Rebouças foi engenheiro, professor e Abolicionista Brasileiro. André começou seu sucesso na engenharia após resolver o problema de abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro, então capital do império.

Formação Acadêmica

André Rebouças e seu irmão Antônio Rebouças iniciam seus estudos em 1849 no colégio Kopke, em Petrópolis, e depois no colégio Marinho, onde concluíram os estudos de geografia, latim e inglês.

André formou-se em Engenharia pela Escola Central do Exército, onde ocupou os primeiros lugares, bacharelou em Ciências Físicas e Matemáticas e Engenharia Militar pela Politécnica em 1860.

Com os diplomas de engenheiros militares e os galões de primeiro tenente, os irmãos completaram seus estudos na Europa em fundações e obras portuárias, sendo uma das maiores autoridades brasileiras em engenharia. Permaneceram um ano e sete meses na França e Inglaterra dedicados à teoria e prática da Engenharia Civil, observando pontes, estradas de ferro, canais e outras construções.

De volta ao Brasil, André tornou-se professor da Escola Politécnica, além de engenheiro civil e empresário, como gostava de se auto representar. O professor também redigiu os livros “Memórias Sobre os Caminhos de Ferro na França”, e com a colaboração de Antônio, redigiu “Estudos Sobre Portos de Mar”.

Campanha Abolicionista

Antes mesmo da sua viagem à Europa, André já se posicionava a favor da abolição da escravidão, e após o sucesso profissional, entrou para uma pequena e surgente elite negra no Brasil, ao lado de nomes renomados como José do Patrocínio e os escritores Machado de Assis e Cruz e Souza, e decidiu usar sua popularidade enquanto cidadão negro para lutar contra a escravidão.

Rebouças, junto com grandes nomes da desta luta como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, ajudaram a criar diversas sociedades, a mais famosa: “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”. Além disso, o professor participou da Confederação Abolicionista e ainda ajudou a redigir o estatuto da Associação Central Emancipadora.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Andre%CC%81_Rebouc%CC%A7as_3.jpg

Carreira como Engenheiro

Em 1865, preocupado com a Guerra do Paraguai, André se dirigiu pessoalmente a Dom Pedro II, que lhe encaminhou para o ministério da guerra.

No dia 20 de maio de 1865, o Tenente André Rebouças, com 26 anos, partiu para a guerra. Dentre suas principais atividades, Rebouças desenvolveu um protótipo de um torpedo que foi amplamente usado nos conflitos contra o país vizinho. A sua tática de manter o cerco Uruguaiana sem atacar deu certo, ganhando assim a admiração do Conde D´eu.

Nessa época,a mãe de André faleceu e ele pediu  baixa do Exército. Em outubro de 1866, o Ministro da Fazenda nomeou-o engenheiro da Alfândega para dirigir as obras de construção das docas do Rio de Janeiro.

André Rebouças cuidou da parte técnica, administrativa e de relações públicas. Planejou e construiu as docas da Alfândega e da Gamboa, projetou uma rede de abastecimento de água para a cidade do Rio de Janeiro e estudou e projetou as docas do Maranhão, de Cabedelo, do Recife e da Bahia.

No ano de 1871, ao lado de seu irmão, apresentou ao imperador Dom Pedro II o projeto para construção da ferrovia Anotnina-Curitiba, uma das maiores obras do século XIX.

Após a morte de seu irmão, Rebouças decidiu viajar para os Estados Unidos aos 37 anos de idade para estudar. Sentiu na pele a segregação racial, até então velada pela sua posição social e amizade com o imperador brasileiro. As chamadas leis “Jim Crow” estabelecidas no país estadunidense acabaram impedindo-o de produzir, assistir a peças de teatro e até mesmo jantar em grandes hotéis, tendo ainda que dormir em um quartinho nos fundos.

Gostou do conteúdo? Deixe o seu comentário!

Por : Davi Abrantes

Administrador

%d blogueiros gostam disto: