Pesquisador cria sistema móvel de placas de energia solar

Equipamento utiliza um dispositivo eletrônico que calcula a posição a Sol

Um sistema mais eficiente de geração de energia solar foi criado pela Unesp. Trata-se de placas solares móveis, capazes de acompanhar a posição dos raios solares durante o ano. Novidade que, se chegar ao mercado, poderá movimentar o setor e trazer benefícios energéticos e ambientais.

O modelo foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Engenharia da Unesp (FEB), Alceu Ferreira Alves, e teve origem a partir de uma pesquisa para sua tese de doutorado. O estudo contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp).

A placa móvel utiliza um sistema mecânico para gerar os movimentos e um dispositivo eletrônico que calcula a posição do Sol e envia os comandos para um conjunto de dois motores de passo. “A inclinação do painel é mantida constante ao longo do dia e há um movimento apenas do ângulo equivalente ao fuso-horário da Terra, ajustando a posição do painel a cada quatro minutos. A inclinação do painel só muda quando há uma diferença entre a posição real do painel e um ângulo de incidência superior a um grau, o que ocorre aproximadamente a cada quatro dias”, explica Alves.

A proposta do professor é voltada para aplicação em pequenas propriedades rurais isoladas, na construção de grandes parques fotovoltaicos, uso residencial em centros urbanos e na geração distribuída de eletricidade em conjunto com outras fontes de energia, como eólica, térmica, entre outras.

O novo sistema tem capacidade para produzir 53% mais energia se comparado a sistemas fotovoltaicos fixos, ou seja, o modelo da Unesp não consome muito da energia que produz. Vantagem que pode se transformar em retorno de capital, já que o custo 35,7% superior a um sistema convencional é compensado pela maior geração de energia elétrica. O seu encarecimento se deve ao alto custo de implantação e por causa do alto preço do silício, material utilizado para fabricar os painéis fotovoltaicos.

Por enquanto, apenas um protótipo de 50W foi construído. Porém, de acordo com o professor, a tecnologia permite que se construam usinas geradoras de qualquer potência, bastando apenas que se multipliquem o número de painéis instalados e o sistema de movimentação.

Entre as características que o diferenciam de outros sistemas comercializados hoje, estão a não utilização de sensores, o que diminui a possível interferência de sombras ou nuvens; o movimento de apenas um motor durante o dia, economizando parte da energia gerada; e o uso de motores de passo, em vez de motores de corrente contínua, o que torna o sistema mais simples e exclui a necessidade de retroalimentação.

Segundo Alves, o objetivo inicial não era comercial, mas, após a divulgação, foram recebidas algumas propostas de industrialização e comercialização, que estão sendo analisadas, visando à continuidade das pesquisas, para tornar o sistema ainda mais inteligente e viável.

Fonte:Jornal da Energia

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