Brasileiro recebe 1,75 milhão de euros para desenvolver pesquisa na Europa

Projeto inovador pretende aumentar eficiência da energia elétrica. Elison Matioli é professor da Escola Politécnica Federal de Lausanne.

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Com a proposta de desenvolver um método inovador para aumentar a eficiência da energia elétrica, o brasileiro Elison Matioli, que é professor da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, ganhou um prêmio de 1,75 milhão de euros para pôr em prática seu projeto de pesquisa.

O prêmio do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC, na sigla em inglês) tem o objetivo de financiar jovens cientistas a desenvolverem pesquisas inovadoras de alto risco e alto ganho. O que significa que são projetos que têm uma probabilidade grande de não darem certo. Mas, caso sejam bem-sucedidos, podem revolucionar sua área do conhecimento e exercer um impacto significativo no mundo.
Pesquisa quer diminuir perda de energia
Depois de a energia ser gerada por qualquer tipo de fonte – hidrelétrica, solar ou nuclear, por exemplo – há a necessidade de convertê-la para uma forma em que ela possa ser consumida pelos equipamentos elétricos que usamos no cotidiano. O problema que o projeto de Matioli busca resolver é o da perda de energia elétrica devido a sistemas ineficientes de conversão de energia, o que corresponde a mais de 10% de toda a eletricidade consumida no mundo, segundo estimam os cientistas.
“Isso corresponderia a perdas de mais de 2 mil Terawatt-hora (TWh) de energia por ano, um valor muito elevado se comparado, por exemplo, à produção total da usina hidrelétrica de Itaipu, que é de aproximadamente 100 TWh por ano”, diz Matioli.
Os sistemas que servem para converter a energia elétrica são constituídos principalmente por transistores de potência, atualmente feitos em materiais semicondutores como o silício.
Silício x nitreto de gálio
“Para aplicações como processamento de dados em computadores ou smartphones, o silício é muito eficiente, mas quando se requer conversão de energia em grande escala, o material não é próprio. Meu objetivo é o usar uma nova classe de semicondutores como o nitreto de gálio para desenvolver novos transistores de potência que resultariam em conversores de energia muito mais eficientes no futuro. Para a mesma tensão, este material propicia muito menos perda em comparação com o silício”, explica Matioli.
Hoje, segundo ele, ainda não é possível substituir o silício pelo nitreto de gálio, pois ainda existem desafios a ser superados. “O que eu proponho é combinar esse material com elementos da nanotecnologia para resolver esses desafios. Se der certo, conseguiremos fazer componentes muito menores e mais eficientes”, afirma.
“Esses componentes poderiam nos levar a um novo paradigma, não o do processamento de dados como em computadores e celulares, mas o do processamento de energia para futuros painéis solares, eletrodomésticos e carros elétricos de forma miniaturizada e muito mais eficiente.”
Projeto de alto risco
O projeto começa já em fevereiro de 2016 e o brasileiro tem cinco anos para usar esta verba para a contratação de pesquisadores, cientistas e comprar equipamentos necessários para atingir seus objetivos de pesquisa.
Ele observa que o prêmio é importante porque contempla projetos que teriam dificuldade de receber financiamentos tradicionais, por causa do alto risco de falharem. “Outras agências de financiamento se focam em projetos de menores riscos e querem o proof of concept antes de fazer o investimento. Sem os esses recursos, seria muito difícil desenvolver projetos mais ambiciosos, de maior risco.”
O prêmio foi dado a 291 cientistas de 38 nacionalidades e Matioli foi o único brasileiro contemplado.

Fonte: G1

1008jia2001

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