A Digitalização de Uma Cultura

Desde o início da década, duas pautas vêm recebendo destaque no cotidiano do nosso planeta: a crise ambiental e o termo metaverso. Sendo um sobre o meio-ambiente e outro sobre tecnologia, à primeira vista eles parecem não se correlacionar diretamente. Porém, ambos estão impactando um país denominado Tuvalu, localizado na Oceania (mais especificamente na Polinésia), que está projetando sua migração total para o Metaverso.

O metaverso consiste no uso da realidade virtual para recriar partes do mundo em que vivemos em um universo digital sem limites físicos composto por hologramas, acessados por uma espécie de óculos chamado “Óculos VR”. Tal conceito já está sendo introduzido no cotidiano de certos países, como por exemplo projetos de desenvolvimento de zoológicos virtuais (já proposto pelo Parque da Ibirapuera – SP) ou até em meios de entretenimento: filmes (“Jogador N°1”, “Gran Turismo: De Jogador a Corredor”) e jogos eletrônicos. Para mais informações sobre o tema, recomendo acessar o vídeo ” O que é o Metaverso? ” – Nerdologia.

A motivação principal por trás do projeto da digitalização de Tuvalu é o aquecimento global e o derretimento de geleiras, já que o país é composto por ilhas paradisíacas e atóis. Sendo assim, está previsto que a elevação do nível do mar gradual irá “engolir” o território. Por estar, em média, apenas a 5 metros do nível da água, a situação representa um risco e uma ameaça para toda a população.

Neste âmbito, o governo levantou a ideia de transformar Tuvalu no primeiro país a se transferir completamente para o Metaverso. Conforme Kausea Natano, primeiro-ministro do país, a deia é transportar o espaço físico e a parte imaterial para o mundo digital. Neste contexto, a parte imaterial englobará a cultura do povo tuvaluano, como, por exemplo, as danças tradicionais e as histórias populares geracionais, ou seja, os detalhes sentimentais que caracterizam a população, além da proposta de introduzir as eleições digitais.

Dança típica da região de Tuvalu

A solução encontrada pelo Estado é inédita e engenhosa, pois a entrada no ambiente virtual atribui a característica de “atemporalidade” às seus aspectos nacionais e irá previnir que os danos físicos iminentes interfiram na futura condição do país. Porém, é notável o surgimento de vários desafios a serem cumpridos, como: garantir o acesso ao Metaverso para todos os nativos (cerca de 11.000 pessoas), reformular toda a economia da nação e sua base, determinar o destino os habitantes locais para outro lugar no caso do desastre natural se concretizar.

Além disso, pode-se refletir sobre algumas questões éticas, tais como: será que a cultura vai ser realmente preservada e respeitada no ambiente virtual? Haverá a preocupação de salvar do desastre a fauna e a flora natural do país? A população manterá um sentimento de patriotismo?

Portanto, é necessário ressaltar que a pioneira iniciativa de recriação digital de Tuvalu é  interessante, ambiciosa e importante para pesquisar se esta alternativa será viável para o futuro, já que a principal utilidade da tecnologia é tentar solucionar problemas enfrentados pela humanidade. Ademais, se os obstáculos que aparecerão forem superados, o projeto proposto será revolucionário, mostrando o potencial do Metaverso de auxiliar o nosso mundo real.