Elsie MacGill: A rainha dos furacões

Carreira acadêmica

Elizabeth Muriel Gregory MacGill nasceu em 27 de março de 1905 em Vancouver, Canadá. Era a filha mais nova de uma família respeitada, seu pai era um grande advogado e sua mãe uma advogada e juíza. Na sua infância, Elsie e seus irmãos foram educados em casa, onde havia um andar dedicado apenas aos estudos, por seus pais em uma rotina rigorosa, que por sua vez facilitou sua entrada na Universidade da Colúmbia Britânica quando ela tinha apenas 16 anos. Ela foi admitida no programa de Ciências Aplicadas, mas foi “convidada a se retirar” pelo diretor da Universidade após apenas um período, pois ele não queria mulheres nos estudos de engenharia.

No entanto, sua paixão por consertar coisas e o incentivo de sua mãe, uma defensora do sufrágio feminino, a levaram a estudar engenharia. Ela foi admitida novamente no curso de bacharelado em Ciências Aplicadas na Universidade de Toronto em 1923. Durante o curso, Elsie trabalhou em conserto de motores elétricos, para complementar seu conhecimento teórico, foi então que seu desejo pela engenharia aeronáutica se aflorou. Em 1927, ela se formou na Universidade tornando-se a primeira mulher canadense a possuir uma graduação em engenharia elétrica.

Após a graduação, MacGill se mudou para os EUA e começou estudos de pós-graduação em engenharia aeronáutica na Universidade de Michigan, matriculando-se no programa de mestrado em tempo integral em engenharia para iniciar o trabalho de projeto de aeronaves e conduzir pesquisa e desenvolvimento nas novas instalações aeronáuticas, tornando-se a primeira mulher norte-americana e talvez do mundo a possuir mestrado na área de engenharia aeronáutica.

Entretanto, no mesmo ano, ela foi diagnosticada com poliomielite e foi informada que nunca mais poderia andar. Mas isso não a abalou e superando todas as expectativas, voltou a andar com a ajuda de duas bengalas de metal, que posteriormente se tornaria um grande símbolo de sua força.

Carreira profissional e importância para a engenharia

Logo ao se mudar para os EUA, Elsie começou a trabalhar na Aston Automobile Company, que coincidentemente começou a construir aviões pouco tempo depois, solidificando seu desejo na área. Ao terminar o mestrado, chegou a iniciar os estudos de doutorado no MIT mas decidiu aceitar uma oferta de trabalho e voltar ao Canadá na Fairchild Aircraft’s, logo se destacou e se tornou a primeira mulher a ser membro do instituto de engenharia do Canadá.Pouco tempo depois aceitou o trabalho de engenheira aeronáutica chefe da CanCar, empresa destinada à construção de caças.

Com a eclosão da segunda guerra mundial, Elsie MacGill se tornou uma das pessoas mais importantes para a armada norte-americana, sendo responsável pela criação e design do modelo Hawker Hurricane e revolucionando o modo de produção dos mesmos, de maneira que as peças passaram a ser feitas antes da montagem do caça, possibilitando uma otimização no tempo de construção e a possibilidade de trocar peças entre diferentes aviões, facilitando os reparos. A escala de seu sucesso, além da sua reputação de bravura por sua insistência em subir nos voos de teste de todos os aviões que projetou lhe rendeu o título de “Rainha dos Furacões”, popularizado em uma edição de 1942 da True Comics, uma publicação americana.

Direitos das mulheres

Seguindo os passos de sua mãe, Elsie era uma grande ativista quanto aos direitos das mulheres, aspecto que tomou força ainda mais ao longo de sua carreira levando em conta toda a descriminação que sofreu no começo de seus estudos e trabalhos.

Ela escreveu uma biografia da vida de sua mãe Helen, descrevendo toda sua luta e desafios no mundo político e judiciário norte-americano, com destaque à sua luta pelo sufrágio feminino. Além disso, MacGill foi presidente da ‘Associação Canadense de Clubes Femininos Empresariais’ e ,em 1947, foi nomeada para a ‘Comissão Real sobre o Status das Mulheres’ no Canadá. Ela também escreveu diversos documentos e declarações a favor de direitos femininos como a remoção do aborto do código penal canadense.

Por toda sua representação, ela recebeu a ‘Ordem do Canadá’, a segunda maior honraria do país.

Fim de vida

Já no fim da segunda guerra,em 1943, Elsie se casou e logo se mudou novamente para Toronto, onde construiu sua própria empresa focada em consultoria de engenharia aeronáutica, focando em suas questões ativistas e ocupando grandes cargos burocráticos relacionados à engenharia no seu país.

Assim ela se manteve até se mudar para Cambrige nos EUA para cuidar de sua saúde, onde ela faleceu em 1980 aos 75 anos, recebendo diversas honrarias de ambos os países após a sua morte e mantendo um legado inestimável para a engenharia e para a representatividade das mulheres na área.