Norte Energia garante que vai derrubar todas ações contra Belo Monte Conselheiro diz que empreendimento segue a lei e não afetará terras indígenas, além de contar com apoio local

Crédito: Reprodução/TV Globo

O diretor de Engenharia da Chesf, José Aílton de Lima, que é conselheiro da Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte (11.233MW), garantiu nesta sexta-feira (15/7) que o empreendimento será implantado mesmo com eventuais protestos a ações na Justiça que tentam barrar a obra. O executivo participou de um debate durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizado na Universidade Federal de Goiás (UFG).

“A lei está sendo seguida. Tanto está tudo sendo cumprido que nenhuma ação do Ministério Público Federal (MPF) contra a usina está se mantendo. Estamos derrubando todas”, enfatizou Lima. Durante o evento, o engenheiro, que presidiu o consórcio Norte Energia até pouco depois da licitação de Belo Monte, foi duramente questionado pelo antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas, Alfredo Wagner Berno e por perguntas do público.

Lima garantiu que a planta não afetará terras indígenas e disse ainda que esses povos e a população local apoiam o projeto.”Os pedidos dos índios para a gente são de carros, caminhonete, isso, aquilo. Ou seja, eles querem se integrar à vida moderna, não tem esse processo romântico que está se colocando aqui. E não vai ter nenhuma terra indígena afetada”. Ainda segundo o executivo, os ribeirinhos mostraram empolgação com o início das obras. “Quando a gente mostra o projeto da vila (onde os desapropriados serão abrigados), o que eles querem é que comece imediatamente. Não querem continuar vivendo na miséria”.

Questionado sobre o andamento do projeto, acusado de atropelo no processo de licenciamento ambiental, Lima esquivou-se de responsabilidades. “O diálogo existe, a negociação existe. Mas tenho uma certa dificuldade nesse debate porque não estou aqui como filósofo, como governo. Sou empreendedor, tenho que implantar a usina. Senão vai faltar energia, minha empresa vai ter prejuízo. O Estado é que tem que tomar as providências”.

Ainda assim, o diretor assegurou que “o governo acompanha o projeto” e negou que Belo Monte esteja sendo construída “à força”. “Do jeito que estamos falando aqui, às vezes parece que a sociedade brasileira é totalmente desprotegida. Estamos em um debate em que parece que a Ditadura está voltando. Eu não estou vivendo esse clima, estamos vivendo em um Estado de Direito”.

Fonte: Jornal da Energia